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sábado, 25 de maio de 2024

Mais exemplos do estado opressor e suas instituições nazifascistas que é essa republiqueta bananeira e esgoto chamado Brasil.

 https://ponte.org/juri-absolve-pm-que-atirou-em-homem-rendido-em-ourinhos-sp-em-2021/?utm_campaign=20240525_juri-absolve-pm-que-atirou-em-homem-rendido-em-ourinhos-sp-em-2021&utm_content=violencia_estado&utm_medium=destaques&utm_source=email

https://youtu.be/nwBj_--73bM?si=SFo9IEC8yblpy5jH


Você consegue imaginar um PM acompanhando a escola do seu filho?

 Gente armada não resolve problema social”. Esta foi a frase do diretor de redação da Ponte, Fausto Salvadori, quando discutimos o texto da newsletter da semana passada. A mesma lógica funciona para o tema que escolhemos para esse texto: as escolas cívico-militares, sistema recém-aprovado em São Paulo. A noite da votação do projeto foi marcada por um test-drive da PM com estudantes que estavam ali para protestar pelo modelo de escola em que acreditam. Por não serem cordados com a decisão dos adultos, foram “disciplinados” com cassetetes e spray de pimenta. Seis deles, inclusive, foram detidos acusados de desacato, desobediência, corrupção de menores, associação criminosa e lesão corporal.

Um belo exemplo de disciplina, não? É essa mesma PM que será colocada para disciplinar crianças e adolescentes nessas escolas. Uma corporação que opera numa lógica de guerra em que o outro é o inimigo. A PM da Operação Escudo , dos Crimes de Maio , do Massacre do Carandiru e tantas outras provas do poder disciplinador desta instituição que aborda muito e resolve pouco. Deve ser por isso que vou entrar em outro ramo agora.

Sabe o que a palavra disciplina me lembra? Cachorros treinados para fazer exatamente aquilo que o dono quer. E sejamos sinceros, não é isso que queremos para as gerações futuras, não é? Uma pesquisa feita em 2022, 7 em cada 10 brasileiros afirmaram que definiram mais em professores do que em militares no quesito educação.

Uma escola disciplinada pela lógica militar levaria a palavra “formação” para a raiz da palavra: “forma”. Uma série de bonequinhos perfilados, sem diferenças, sem personalidade, sem liberdade de expressarem a si mesmos com roupas, acessórios e até opiniões. E isto não é um exagero: em São Sebastião do Passé, na região metropolitana de Salvador, o disciplinador foi acusado de ter impedido o acesso de uma aluna negra por causa do cabelo dela . O racismo tem uma relação estável e sólida com instituições militarizadas e não seria diferente na escola.

E quanto à inclusão? Consegue imaginar um policial disciplinador lidando com um aluno no espectro autista? Ou com problemas para se locomover ou se expressar? E uma aluna trans, teria vez nesse espaço? Se não há espaço dentro da corporação, não vou ter vez, nem voz, nem presença dentro de uma escola sob o chicote disciplinante.

Termino com um trecho da entrevista de Catarina de Almeida Santos, professora e pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, e coordenadora do Comitê-DF da Campanha Nacional pelo Direito à Educação (CNDE) à Ponte ainda em 2020: “A polícia não vai melhorar a escola. Ela vai apagar o sujeito, apagar identidades. As escolas militarizadas impõem a regra do quartel, então você vai ter que ter determinado corte de cabelo, você vai ter que se vestir de tal forma, não pode usar brinco. Você apaga a identidade da juventude, sobretudo da juventude negra. Você apagou a questão das mulheres trans, das lésbicas, dos gays. Nada disso vai ter espaço nessa escola”.

Jéssica Santos - Editora de Relacionamento de Ponte Jornalismo