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sábado, 26 de outubro de 2024

Pelo Direito ao Luto - Ponte Jornalismo

A despedida de nossos mortos marca nossa humanidade. Reunir família e amigos para o derradeiro rito de passagem, o sepultamento ou tratamento do corpo é uma marca de diferentes culturas humanas. E o respeito a este momento sensível, no qual se processa o sentimento da perda física de alguém, é uma das raras universalidades humanas. Nas últimas semanas, entretanto, vimos o coturno militar romper esse momento sacro em Bauru. Policiais invadiram um velório, agredindo a mãe e os familiares de um corpo morto por colegas de farda. 

Assistir às imagens de agressão dentro de uma terra sagrada, o lugar físico de descanso dos mortos, me deixou atônita. Guilherme Oliveira, de 18 anos, corpo ali velado, teve uma segunda morte ali pela mesma instituição de sua primeira morte, quando a paz de seu rito de passagem foi brutalmente interrompida. Parafraseando Christina Sharpe em seu “No vestigo: negridade e existência”, Guilherme e cada pessoa violentada foi “banida do reino humano” – uma ação sempre destinada a corpos pobres, pretos, mulheres, todos os vulneráveis desta terra. 

Ler dona Nilceia relatando que precisou escolher entre velar o filho morto ou buscar o outro filho, levado pela mesma gente que matou Guilherme, é de dilacerar a alma de quem ainda guarda em si alguma humanidade. Em poucos dias, a PM tirou desta mãe: seus filhos (o irmão de Guilherme foi levado para delegacia por “desacato”), seu direito ao luto, sua dignidade física e emocional. “O sistema venceu”, teria dito um dos policiais de uma forma debochada que, segundo a família, já estava ali quando o corpo de Guilherme chegou para ser velado. E ele tem razão. O sistema do qual ele faz parte está vencendo sim. Cada violência é uma vitória deles nesta guerra que começaram e cujo alvo tem sempre destino certo. 

Passados os ritos, dona Nilceia e sua família não terão direito ao luto. Para que Guilherme não tenha uma terceira morte e outros jovens não sejam levados à sepultura, sua família se une a tantas outras na luta contra a violência e para que a lei – que também tem seus ritos – seja cumprida igualmente para todos, independentemente de seu CEP, cor de pele ou condição financeira. É mais uma família gritando por justiça, mais uma mãe na frente de batalha, mais vozes engrossando o coro. 

“Eu não achei que isso ia chegar à minha casa. E muitas mães se calaram. Muitas mães tiveram que guardar o seu luto, tiveram que guardar o seu grito de justiça. Eu agora tenho que provar a inocência do meu filho. Isso tem que parar. A polícia está aí para proteger, está aí para prender, levar à justiça para a justiça julgar. Ela não está para matar, para violar, para meter o pé no portão do cidadão de bem, do trabalhador”, como disse Nilceia à reportagem da Ponte. 

Jéssica Santos 

Editora de Relacionamento 

Ponte Jornalismo 26/10/2024

Rússia, uma super-potência de papel!

 O que as nações européias e a OTAN, que apóiam a Ucrânia, estão esperando para entrar definitivamente com suas forças militares nessa guerra para por um fim em definitivo nas pretensões de Vladimir Putin em anexar a Ucrânia e certamente outras nações européias, uma ação conjunta das nações aliadas de Kiev com a OTAN, não só expulsaria os russos do território ucraniano como serviria para acabar definitivamente com o sonho e as pretensões de Putin na Ucrânia e em outras nações européias, além de desmoraliza-lo internamente enfraquecendo seu poder e sua ditadura, algo que seria muito bem vindo para os russos que estão sendo penalizados em todos os sentidos economicamente e principalmente com a vida, com uma guerra que não lhes interessa. Putin derrotado, humilhado, desmoralizado e enfraquecido, deixaria de ser o estorvo que representa hoje não só para a Europa como para o mundo.

Se Estados Unidos e algumas nações européias, estiver temendo um covarde blefador, isolado, desacreditado e desmoralizado, além de fraco, como Putin, com medo de uma suposta escalada nessa guerra, mesmo diante das demonstrações de fraqueza moral, estratégica e militar de Putin, a pergunta é: Afinal que tipo de capacidade militar é essa destas nações como Reino Unido, França, Alemanha, Itália, e do bloco que compõe a OTAN?

A Ucrânia expôs as fraquezas russa e de Putin, mostrou que não é difícil vencer e expulsar a Rússia de seu território, e mais ainda em um possível conflito direto de qualquer potência bélica com a Rússia a "grande Rússia" há há há! seria derrotada e humilhada, a áurea de grande ou super potência bélica da Rússia, caiu por terra com essa guerra, ainda mais com o surgimento da guerra híbrida que encurta a distância dos poderio militar convencional. Seu poderio nuclear está sucateado e só no máximo 1/4 de suas ogivas nucleares é operacional, sua força área, naval e terrestre, quando não está sucateada é destruída pela corrupção e roubalheiras histórica, sua tecnologia está ultrapassada e totalmente dependente de outras nações.

A Rússia mostrou que é fraca ao pedir ajudas de outras nações para se sustentar num conflito com uma nação bem inferior a ela belicamente ao pedir e aceitar receber, não só armas como principalmente efetivo militar da Coreia do Norte, assim como Putin desqualificou sua própria alegação de que o envolvimento de forças militares de outras nações européias na guerra seria uma declaração de guerra destas nações a Rússia, hoje é a Coreia do Norte, logo será o Iran e provavelmente as nações satélites da Rússia ex-integrantes da União Soviética, ainda mais que a economia russa está a beira de um colapso por causa dessa guerra e certamente Putin irá chantagear seus aliados para lhes ajudar.

O fato é que a Rússia principalmente de Putin, não passa de uma caricatura de se mesma, um fantasma que não assusta mais ninguém, que vive do passado soviético, corroída pela desorganização e pela corrupção, pelo clientelismo e pelo autoritarismo de seus autocratas de plantão, enfim a Rússia não passa de uma republiqueta terceiro mundista.