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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

ODD: O ESTRANHO NÃO É O SISTEMA — É VOCÊ AINDA ACREDITAR NELE

 Chamam de odd.

Estranho.

Esquisito.

Fora do padrão.

Mas vamos ser honestos: odd não é o que destoa — odd é o que ainda finge normalidade num mundo apodrecido.

É odd quando um político fala em democracia com a mão enfiada no bolso da censura.

É odd quando a mídia vende colapso como estabilidade.

É odd quando o autoritarismo se fantasia de ordem, e a obediência vira virtude cívica.

Chamam isso de estranho porque não sabem mais reconhecer a contradição quando ela grita.

O sistema inteiro é um teatro de absurdos repetidos tantas vezes que viraram paisagem.

O que questiona vira odd.

O que resiste vira radical.

O que pensa vira perigoso.

Odd é quem aponta que o rei está nu.

Odd é quem não bate palma no ritual da mentira institucional.

Odd é quem percebe que algo “não encaixa” — porque nunca encaixou.

A palavra odd não descreve o desvio.

Ela denuncia o deslocamento coletivo da consciência.

Quando tudo é corrupção, chamar a ética de estranha é conveniente.

Quando tudo é vigilância, chamar a liberdade de esquisita é estratégico.

Quando tudo é submissão, chamar a rebeldia de odd é sobrevivência do poder.

Não, o estranho não é o dissenso.

O estranho é a normalização do absurdo.

O estranho é a docilidade diante do controle.

O estranho é ainda pedir permissão para existir.

Se isso é odd, então sejamos.

Se questionar incomoda, incomodemos.

Se não encaixar é crime, sejamos culpados.

Porque num mundo doente, a lucidez sempre parece estranha.

E quem chama isso de odd já escolheu ficar confortável demais para perceber o colapso ao redor.