“SOU ANTI!”

NÃO ME PERGUNTE, PORQUE AMO OS ANIMAIS? SE FINGIR NÃO SABER OS MOTIVOS, ME PERGUNTE PORQUE ODEIO OS HUMANOS! - SOU ANTI, SOU UM SER RACIONAL PENSANTE E LIVRE, POR ISSO SOU ANTI, SOU ANTI SISTEMA DOMINANTE, SOU ANTI ESTADO E SUAS LEIS SOU ANTI INSTITUIÇÕES OFICIAIS, SOU ANTI PATRIOTISMO E NACIONALISMO, POIS SÓ SERVEM PARA EXALTAR UMA PSEUDA PÁTRIA SUA, SOU ANTI POLÍTICA PARTIDÁRIA E O CÂNCER QUE ESSA REPRESENTA, SOU ANTI O VOTO POLÍTICO PARTIDÁRIO E A FARSA DA REPRESENTAÇÃO POLÍTICA QUE ELE “VENDE” SOU ANTI A FARSA QUE É A TAL DA DEMOCRACIA ENQUANTO REGIME, PELAS FALÁCIAS QUE “VENDE” E POR REPRESENTAR UM GOVERNO. SOU ANTI CRENÇAS DE FÉ RELIGIOSAS SEU DEUS ASSIM COMO AS MÍSTICAS, SOU ANTI CONCEITOS FALSOS DE VALORES, SOU ANTI SOCIEDADE E SUAS AMARRAS OU “CABRESTOS” MORAL, QUASE SEMPRE FALSO MORALISTA, SOU ANTI POLÍCIA E TUDO QUE ESSA REPRESENTA, OPRESSÃO, COVARDIA, DISCRIMINAÇÃO, PERSEGUIÇÃO ETC, SOU TOTALMENTE ANTI MODISMOS. SOU ANTI! POIS SOU UM SER RACIONAL MAS PENSANTE!!! - A FARSA DA VIDA - "FARSA, A VIDA É UMA GRANDE FARSA, MAS QUEM DISSE QUE NÃO É, COMO NEGAR! SIMPLES SENDO MAIS UM FARSANTE."

sábado, 17 de janeiro de 2026

Quando o estado falha, e ele sempre falha, seja por incompetência, ineficiência e negligência, até intencionalmente quando suas vítimas são indivíduos pertencentes às castas dominadas e suas rales, ou seja, os pobres e miseráveis, essa é só uma das formas de opressão, discriminação, exclusão, segregação, perseguição e punição dos pobres por estes serem pobres os indesejados pelas castas dominantes e suas elites privilegiadas que só usam estes para explora-los.

 Silêncio, transparência negada e luto: o que o Estado deve às famílias após mortes sob sua responsabilidade. (sábado 17/01/2026)

Atenção: este artigo trata de saúde mental e suicídio — o que pode gerar gatilhos. Caso você não esteja bem e precise conversar com alguém, a Ponte recomenda entrar em contato com o Centro de Valorização à Vida (CVV), que funciona 24 horas e pode ser acionado pelo telefone 188 (ligação gratuita) ou a partir deste site. Você ainda pode buscar uma unidade de saúde mais próxima da sua casa por meio do Mapa da Saúde Mental.

“A cabeça é uma coisa fina, fia.” Era o que costumava dizer minha avó antes do Alzheimer devorar suas memórias e a ela mesma. Penso que era a forma dela de dizer o quão delicadas são as questões que envolvem nossa saúde mental e o quanto precisamos cuidar da nossa mente e das pessoas que estão ao nosso redor. Na semana em que ela faria 94 anos, a voz e a frase de minha vó voltaram à memória diante de dois casos que recebemos. 

Jean e Mychelline nunca se conheceram, nem tiveram a mesma trajetória de vida. Mas suas histórias chegaram até nós por suas famílias que desconfiam que o fim de seus entes queridos não foi suicídio, mas algo que não conseguem entender. Os dois estavam sob a responsabilidade de  instituições do Estado. Ele, no Exército. E ela, na prisão. Foram encontrados mortos, e as conclusões das investigações internas foram de que ambos teriam tirado a própria vida.

Em ambas as circunstâncias, as dúvidas abundam sobre a causa da morte. Respostas que não foram dadas nem às famílias, nem ao questionamento da Ponte revelam o descaso com a transparência, com o luto e com a vida alheia. A família de Mychelline sequer teve acesso aos laudos de sua morte.

Durante a apuração da reportagem sobre Jean, meu colega, o repórter Paulo Batistella, conversou com a socióloga e coordenadora-adjunta da área de ensino e pesquisa do Instituto de Pesquisa, Prevenção e Estudos em Suicídio (Ippes), Fernanda Novaes Cruz. Ela usou uma palavra que eu nunca tinha ouvido, mas que fez muito sentido. Para ela, casos como o do jovem militar careciam de “posvenção”. O termo foi definido como “práticas que acolham familiares e colegas das pessoas mortas após o ocorrido”. Fala de cuidado e transparência com familiares de pessoas que podem ter cometido suicídio.

“Existe uma demanda pelo esclarecimento dessas mortes, e, ao mesmo tempo, nem sempre essas instituições têm o ímpeto de investigar esses casos e também de comunicar as famílias sobre os desdobramentos”, ela disse à Ponte. O Estado não é um bom comunicador, e isso parece piorar quando os corpos sem vida não são de pessoas brancas de classe média alta de bairros nobres, que talvez ganhassem até uma nota de condolências do governador (não que isso signifique muita coisa). O leitor há de convir que transparência pública não é nosso forte.

Essa questão da transparência e do cuidado para com as famílias enlutadas me lembrou um caso mais antigo que publicamos na Ponte. Em 2024, Maria Cristina de Almeida recebeu a notícia da morte do filho, Márcio Izaías de Almeida, por e-mail. Márcio, que era cadeirante e diabético, estava na Penitenciária 1 de Franco da Rocha, na Grande São Paulo. Ela só queria informações sobre o estado de saúde do filho, mas o que recebeu foi a notícia fria do óbito. A morte foi por questões de saúde física, mas também revela o tamanho do descaso com a vida das pessoas. 

Em meio a um caos de descaso, minha próxima frase talvez soe pueril, mas, se o Estado quer manter pessoas sob sua responsabilidade – sejam elas policiaispresosmilitaresestudantespessoas em surto etc –, precisa assumir de vez o cuidado holístico ao bem-viver pleno. O cuidado com a vida das pessoas e suas comunidades. Pessoas como Jean e Mychelline não são matrículas, mas humanos com conexões familiares e afetivas que têm sido afetadas pelas mortes e pela falta de transparência. Ou, como diria minha avó, pela falta de cuidado com a “finura da cabeça” das pessoas.


Jéssica Santos - Editora de Relacionamento de Ponte Jornalismo 

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