Chega de metáfora educada. As saúvas mandam no Bostil.
Elas legislam, julgam, pregam, administram, exploram e ainda posam de salvadoras.
Chamam privilégio de estabilidade.
Chamam repressão de ordem.
Chamam miséria de ajuste.
Toda vez que o país tenta respirar, alguém grita:
“Cuidado! Sem nós, o Bostil acaba!”
Mentira.
Com vocês, ele apodrece.
O autoritarismo sempre volta com a mesma fantasia:
“É duro agora para melhorar depois.”
Depois nunca chega.
O que chega é mais controle, mais medo, mais silêncio.
As saúvas modernas não destroem lavouras.
Destroem imaginação política.
Convencem o povo de que não há alternativa.
Que reclamar é crime.
Que pensar é ameaça.
O maior golpe da história bostileira não foi militar, nem jurídico, nem econômico.
Foi psicológico:
fizeram o país acreditar que precisa de parasitas para sobreviver.
Não precisamos de salvadores da pátria.
Precisamos derrubar o altar onde eles se colocaram.
Se o Bostil acabar, não será por excesso de liberdade.
Será por overdose de ordem inútil, de poder inútil, de gente inútil no topo sugando tudo.
Ou o Bostil acaba com as saúvas do poder,
ou continuará sendo apenas um território administrado por elas.
E não:
isso não é extremismo.
Extremo é achar normal viver sendo roído.
Anarchy Now!
Sem medo.
Sem tutores.
Sem formigueiro.